Atualizado a 8 de novembro de 2026 pela Equipa do broker-forex.eu
O dólar americano (símbolo: $; código: USD; também abreviado US$) é a moeda oficial dos Estados Unidos e dos seus territórios insulares. Divide-se em 100 cêntimos (¢). A moeda fiduciária é constituída por notas emitidas pela Reserva Federal (Fed), denominadas em dólares americanos. Desde a suspensão, em 1971, da convertibilidade do dólar em ouro (fim do sistema de Bretton Woods), o USD é uma moeda puramente fiduciária.
É hoje a moeda mais importante do mundo e a moeda de reserva mais negociada nos mercados cambiais. Segundo os dados do FMI (base COFER) do segundo trimestre de 2026, o dólar representava cerca de 56,7% das reservas cambiais oficiais mundiais, e o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) indica que está presente em quase 89% de todas as transações Forex. Vários países utilizam-no como moeda oficial e, em muitos outros, é a moeda de facto.
Descrevemos a seguir as principais características do dólar americano e o seu papel na economia mundial, começando por uma descrição da economia americana em relação à sua moeda, antes de analisar a desdolarização e o que ela muda concretamente para os traders.
Os Estados Unidos são a maior potência económica mundial. Em 2024, o seu produto interno bruto atingiu cerca de 29 168 mil milhões de dólares, ou seja, aproximadamente 27% do PIB mundial. O crescimento do PIB americano foi de 2,8% em 2024 e de 2,2% no conjunto de 2025, marcando um abrandamento num contexto de incerteza ligado à política comercial (tarifas aduaneiras) e à mais longa paralisação orçamental da história americana (43 dias no outono de 2025). Em 2026, a atividade acelerou claramente: o PIB cresceu 3,4% em termos anualizados no terceiro trimestre de 2026 (depois de 2,2% no segundo), impulsionado pelo investimento em tecnologias de inteligência artificial e pelo consumo das famílias. Este vigor é, no entanto, acompanhado por uma inflação persistente — 3,6% no índice PCE em setembro de 2026 — alimentada pela subida dos preços da energia ligada ao conflito no Médio Oriente. Nas eleições intercalares de 3 de novembro de 2026, os democratas conquistaram as duas câmaras do Congresso: esta viragem, que reduz as perspetivas de novos estímulos orçamentais, fez recuar o dólar e começa a pôr em causa o «excecionalismo americano» aos olhos dos mercados.
A economia americana está orientada sobretudo para o setor dos serviços, que representa mais de 80% do PIB: serviços às empresas, saúde, finanças, imobiliário e transportes. Ainda assim, a grande dimensão do setor industrial americano torna o dólar muito sensível aos seus resultados.
Como os Estados Unidos dispõem dos mercados obrigacionistas e acionistas mais líquidos do mundo, os investidores estrangeiros aumentam regularmente as suas compras de ativos americanos. Em termos líquidos, os Estados Unidos absorvem uma parte importante da poupança mundial, o que significa que, se os investidores estrangeiros não estivessem satisfeitos com os lucros obtidos nos mercados americanos, poderiam decidir repatriar o seu capital, o que pesaria sobre o valor do dólar.
Os Estados Unidos continuam a enfrentar um importante défice da balança corrente e uma dívida pública estimada em cerca de 121% do PIB em 2024 segundo o FMI — um nível que levou a agência Moody's a baixar a notação soberana americana para Aa1 em maio de 2025. Este contexto pesa estruturalmente sobre o dólar e leva alguns bancos centrais a diversificar as suas reservas.
Eis os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos:
Para os investidores portugueses, o dólar entra em jogo sobretudo através do par EUR/USD. No Brasil, o par de referência é o USD/BRL, muito sensível às decisões da Fed e ao apetite pelo risco dos investidores internacionais.
A autoridade responsável pela gestão da política monetária nos Estados Unidos é o Federal Reserve Board (Fed). A sua função é definir e aplicar a política monetária através do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC). Os membros com direito de voto são os sete governadores do Federal Reserve Board e cinco presidentes dos 12 bancos regionais da Reserva Federal. O FOMC realiza 8 reuniões por ano, acompanhadas de perto pelos mercados devido aos possíveis anúncios sobre as taxas de juro e às perspetivas de crescimento.
Em 2024, a Fed iniciou um ciclo de descidas de taxas após uma fase de política restritiva (2022-2024) destinada a conter a inflação pós-Covid. Depois de uma longa pausa entre 4,25% e 4,50% durante a maior parte de 2025, num contexto de incerteza ligado às tarifas da administração Trump, procedeu a três descidas a partir de setembro de 2025, levando o intervalo para 3,50%-3,75%. O movimento inverteu-se em 2026: perante uma inflação que se manteve demasiado elevada (PCE a 3,6% em termos homólogos em setembro), o FOMC subiu a sua taxa em 25 pontos base a 16 de setembro de 2026, por unanimidade e pela primeira vez desde o verão de 2023, colocando o intervalo em 3,75%-4,00%. Na reunião de 28 de outubro de 2026, poucos dias antes das eleições intercalares, manteve as taxas inalteradas, tendo dois responsáveis (Lisa Cook e Beth Hammack) votado a favor de nova subida. Os mercados antecipam maioritariamente um novo aperto na última reunião do ano, no início de dezembro. Desde a primavera de 2026, a instituição é presidida por Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, que anunciou uma reformulação do ritmo das decisões a partir de 2027 (menos reuniões dedicadas às taxas e subidas eventualmente mais fortes).
A Fed goza de grande independência na definição da política monetária. Publica um relatório semestral de política monetária (em fevereiro e em junho), seguido da audição Humphrey-Hawkins, na qual o presidente da Fed responde às perguntas do Congresso. Este relatório inclui as projeções do FOMC sobre desemprego, inflação e PIB.
Ao contrário da maioria dos bancos centrais, a Fed tem um duplo mandato: garantir a estabilidade dos preços (objetivo de inflação de 2%) e favorecer o pleno emprego. Os seus principais instrumentos são as operações de mercado aberto e a taxa-alvo dos fundos federais.
Estas operações consistem na compra ou venda, pela Fed, de títulos do Estado (bilhetes e obrigações do Tesouro). É uma das metodologias mais utilizadas para sinalizar e aplicar as alterações de política monetária. Se a Fed aumentar as compras de títulos, as taxas de juro descem e a liquidez aumenta; a venda desses títulos produz o efeito inverso, apertando as condições monetárias e fazendo subir as taxas.
O principal instrumento da Reserva Federal é a taxa-alvo dos fundos federais, ou seja, a taxa a que os bancos membros emprestam as suas reservas entre si overnight. Para reduzir a inflação, a Fed sobe esta taxa; para estimular o consumo e o crescimento, desce-a. Os mercados financeiros, incluindo o Forex, acompanham de perto cada variação desta taxa, pois implica geralmente alterações importantes nos fluxos de capital e influencia diretamente o valor do dólar.
Quanto à política orçamental, é gerida pelo Tesouro americano, que determina os níveis de despesa pública e de impostos. É também o Tesouro que pode mandatar a Fed para intervir diretamente no mercado cambial (compra ou venda de dólares) quando considera que a taxa de câmbio está demasiado afastada dos fundamentos económicos.
Atualmente, o dólar americano está presente em quase 89% das transações Forex segundo o BIS (2025), o que faz dele, de longe, a moeda mais líquida do mundo. Os pares EUR/USD, USD/JPY, GBP/USD e USD/CHF estão entre os mais negociados. Por isso, as notícias económicas relativas aos Estados Unidos são as que habitualmente provocam os movimentos mais significativos no mercado.
O dólar americano tem geralmente uma correlação negativa com o ouro: historicamente, o dólar e o preço do ouro evoluem em sentidos opostos. Quando o ouro sobe, o dólar tende a descer, e vice-versa. Esta relação explica-se sobretudo pelo facto de o ouro ser cotado em dólares. Em períodos de incerteza económica ou geopolítica, os investidores refugiam-se no ouro, o que pesa sobre o dólar. No início de novembro de 2026, a onça de ouro ultrapassou os 4 000 dólares, um nível recorde sustentado pelas compras maciças dos bancos centrais, pelas tensões no Médio Oriente e pela vitória democrata nas eleições intercalares.
Vários mercados emergentes estabeleceram uma paridade entre a sua moeda e o dólar americano: estes países aceitam de facto o dólar como moeda de reserva e comprometem-se a comprar ou vender a sua moeda local à taxa fixada. Os seus bancos centrais acumulam assim importantes reservas em USD e participam ativamente na gestão das suas paridades fixas ou flutuantes, tornando-se eles próprios atores do mercado cambial.
Os mercados acompanham de perto os diferenciais de taxas entre os títulos do Tesouro americano e as obrigações estrangeiras: esta relação é um bom indicador das possíveis flutuações das cotações. Se os rendimentos americanos descerem em relação aos estrangeiros, os investidores podem vender os seus ativos americanos para comprar ativos mais rentáveis no estrangeiro, o que implica vender dólares — e, portanto, enfraquece a moeda. É também o mecanismo do carry trade que afeta moedas de rendimento elevado como o real brasileiro.
O Dollar Index (DXY): os traders profissionais acompanham de perto o comportamento do Dollar Index (DXY/USDX) como barómetro da força ou fraqueza global do dólar. Este índice é calculado a partir de uma média geométrica ponderada de seis moedas principais (euro, iene, libra esterlina, dólar canadiano, coroa sueca e franco suíço). Em maio de 2026, o DXY ainda rondava os 99 pontos, depois de ter caído mais de 10% em 2025 para os níveis mais baixos desde 2022. Recuperou depois no segundo semestre de 2026, apoiado pela subida dos preços da energia e pelo aperto monetário da Fed: situava-se em torno de 100-101 no início de novembro de 2026, antes de recuar após a vitória democrata nas eleições intercalares de 3 de novembro.
O estatuto de valor-refúgio do dólar é progressivamente posto à prova: desde os anos 2000, as sanções financeiras utilizadas pelos Estados Unidos como instrumento de política externa, aliadas ao endividamento crescente e aos défices orçamentais persistentes, levaram muitos bancos centrais a diversificar progressivamente as suas reservas. A quota do dólar nas reservas mundiais, que ultrapassava 70% no início dos anos 2000, situa-se agora em cerca de 56-57% segundo o FMI (ver a secção desdolarização).
As operações cambiais nos Estados Unidos são influenciadas pelos mercados acionista e obrigacionista: existe uma forte correlação entre o dólar e os mercados de ações e de taxas americanos. Nas fases de subida das bolsas americanas, os capitais estrangeiros afluem e sustentam o dólar. Em fases de tensão ou de queda, as saídas de capitais podem pesar sobre a moeda.
Sendo a moeda dos Estados Unidos, o dólar reflete em grande medida a evolução da economia americana: fortalece-se em períodos de crescimento sustentado e enfraquece quando a atividade abranda. Além disso, como os Estados Unidos são tradicionalmente considerados uma economia-refúgio, o dólar tende a valorizar-se em períodos de turbulência financeira ou geopolítica mundial — embora esta perceção seja hoje mais matizada do que antes dos anos 2000.
Em 2025, vários fatores contribuíram para enfraquecer o dólar: a flexibilização monetária da Fed, a incerteza ligada às tarifas da administração Trump, a descida da notação soberana pela Moody's e a diversificação das reservas mundiais. Estes elementos mostram que o valor do USD depende de uma combinação complexa de fundamentos económicos, políticas monetárias e sentimento do mercado. Em 2026, a tendência inverteu-se parcialmente: a recuperação do petróleo ligada ao conflito no Médio Oriente, a primeira subida de taxas da Fed desde o verão de 2023 e uma procura estrangeira recorde por ativos americanos sustentaram a nota verde, antes de a vitória democrata nas eleições intercalares e a queda das tecnológicas a fazerem recuar no início de novembro.
Mais concretamente, os fatores que influenciam o valor do dólar americano são os seguintes:
Quando os produtores americanos exportam bens ou serviços, geram procura de dólares, porque os seus clientes estrangeiros têm de converter a moeda local em USD para pagar. Do mesmo modo, quando investidores estrangeiros compram ações ou obrigações americanas, têm de comprar dólares para realizar estas operações. Estes fluxos criam procura de dólares e sustentam o seu valor.
Estas situações geram uma maior procura de dólares e, consequentemente, pressionam a oferta disponível, o que aumenta o valor do dólar face às moedas vendidas para o comprar.
Mas o que acontece se a economia americana enfraquecer e o consumo abrandar devido ao aumento do desemprego? Nesse cenário, os Estados Unidos enfrentam a possibilidade de os estrangeiros venderem as suas obrigações ou ações americanas e converterem o produto dessas vendas na sua moeda local. Consequentemente, vendem dólares e recompram a sua moeda local. Este tipo de atividade tem um efeito negativo sobre o dólar.
Notícias e indicadores económicos que influenciam o valor do dólar: os investidores e traders têm de avaliar se a oferta de dólares é superior ou inferior à procura. Para isso, acompanham de perto as publicações económicas mais importantes: relatório de emprego não agrícola (NFP), indicadores de inflação (IPC, PCE), PIB trimestral, vendas a retalho e índices ISM. Estes dados podem provocar reações fortes, sobretudo quando surpreendem face às previsões de consenso.
As alterações de política monetária da Fed têm também um impacto importante: uma subida das taxas americanas fortalece quase sempre o dólar a médio prazo, enquanto uma descida o pode enfraquecer. Por vezes, bastam simples sinais do FOMC sobre uma futura alteração das taxas para provocar movimentos fortes. As atas das reuniões do FOMC, publicadas algumas semanas após cada reunião, são também analisadas ao pormenor para detetar as intenções futuras dos seus membros.
Encontrará mais informações sobre os indicadores que podem influenciar o USD no seguinte artigo:
- Os principais indicadores económicos dos Estados Unidos e do dólar americano
Sentimento do mercado e análise técnica: as tendências históricas, os níveis de suporte e resistência, os indicadores técnicos e os fatores sazonais influenciam também as decisões dos traders. Muitos consideram que estes padrões se repetem e podem ser utilizados para antecipar os movimentos futuros do dólar.
O dólar está presente em quase 89% de todas as transações Forex segundo os dados do BIS de 2025, o que faz dele a moeda mais negociada e mais líquida. Praticamente todas as moedas são negociadas contra o dólar, desde as das economias mais avançadas até às mais exóticas. É por isso que é a moeda de reserva mundial.
Os pares com o dólar mais negociados são os principais pares de moedas, compostos pelas moedas das grandes economias mundiais face ao dólar:
Estes pares concentram a maioria das transações com o dólar americano, mas existe também um volume significativo de transações com moedas menos conhecidas ou exóticas contra o USD, como o USD/BRL.
O dólar americano não é apenas a moeda mais negociada no Forex: é também a moeda de referência da maioria dos mercados financeiros mundiais. Milhares de ações, instrumentos derivados (futuros, opções, forwards, CFD), índices, obrigações e outros instrumentos são cotados em USD.
Os contratos de futuros padronizados, que constituem um dos maiores mercados do mundo, são negociados principalmente em dólares, quer sobre matérias-primas quer sobre moedas. O preço do ouro e de numerosas matérias-primas agrícolas e energéticas é expresso em dólares americanos. A OPEP realiza as suas transações petrolíferas em USD, o que significa que cada compra ou venda de petróleo implica também uma transação em dólares. O mesmo acontece com o café, a soja ou o minério de ferro, matérias-primas essenciais para as exportações brasileiras.
Até as criptomoedas como a Bitcoin são negociadas e avaliadas principalmente em dólares americanos.
Todos estes fatores fazem do dólar a moeda de referência incontornável da economia mundial — uma posição estrutural que nada parece poder pôr em causa a curto prazo, apesar da erosão progressiva do seu domínio.

A desdolarização designa a vontade de vários países de reduzir a sua dependência do dólar americano: nas reservas cambiais, na faturação do comércio externo e nos circuitos de pagamento internacionais. A Rússia e a China são os seus promotores mais visíveis, mas o movimento abrange também muitos bancos centrais emergentes, incluindo o do Brasil, membro dos BRICS. Para um trader de divisas, trata-se antes de mais de uma questão de relações de força monetárias, que pode criar simultaneamente oportunidades e novos riscos.
A supremacia do dólar remonta aos acordos de Bretton Woods (1944): as grandes moedas ficaram indexadas ao dólar, ele próprio convertível em ouro a 35 $ a onça. Quando Richard Nixon suspendeu essa convertibilidade em agosto de 1971, o dólar tornou-se uma moeda puramente fiduciária, mas manteve o seu papel central graças à profundidade dos mercados financeiros americanos, à faturação do petróleo em dólares (os «petrodólares») e à confiança nas instituições dos Estados Unidos. Para saber mais, consulte a nossa história das moedas de reserva.
O movimento é real, mas lento. Os números mostram uma erosão progressiva e não uma rutura:
| Indicador | Situação | Leitura |
|---|---|---|
| Quota do dólar nas reservas cambiais (FMI, COFER) | Cerca de 71% em 2000 → 56,7% no 2.º trimestre de 2026 (contra 57,2% no 1.º trimestre de 2026) | Erosão lenta, sem substituto único |
| Quota do euro nas reservas | Cerca de 20,6% (2.º trimestre de 2026, em alta face ao 1.º) | Segunda moeda de reserva, muito atrás |
| Quota do yuan (renminbi) nas reservas | Cerca de 2,1% (2.º trimestre de 2026) | Travada pelo controlo de capitais chinês |
| Compras de ouro dos bancos centrais (World Gold Council) | Mais de 1 000 toneladas por ano em 2022, 2023 e 2024 | O ouro é o principal beneficiário da diversificação |
| Quota do dólar nas transações Forex (BIS, abril de 2025) | Cerca de 89% das operações | Domínio intacto no mercado cambial |
Segundo o BCE, o ouro ultrapassou o euro em 2024 para se tornar o segundo ativo de reserva mundial em valor de mercado, atrás do dólar. Em sentido inverso, o crescimento das stablecoins indexadas ao dólar (Tether USDT, USD Coin), reguladas nos Estados Unidos pelo GENIUS Act desde julho de 2025, cria uma nova procura de títulos do Tesouro e alarga a utilização do dólar no universo cripto. A desdolarização avança, portanto, em algumas frentes e recua noutras.
A longo prazo, a desdolarização desenha um sistema monetário mais multipolar, no qual o euro, o yuan, o ouro e os acordos de pagamento bilaterais em moedas locais ganham terreno. Isso pode traduzir-se numa procura estrutural mais fraca de ativos americanos (títulos do Tesouro, ações) e, portanto, numa pressão descendente sobre o dólar e num aumento do custo de financiamento dos Estados Unidos.
Consideremos um cenário hipotético: se uma parte significativa dos contratos petrolíferos fosse liquidada em yuans em vez de dólares, a procura de dólares dos países importadores diminuiria, o Dollar Index poderia recuar e as moedas dos países exportadores de petróleo, bem como o USD/CNH, tornar-se-iam mais voláteis. As moedas emergentes, mais expostas a estas realocações, registariam provavelmente movimentos mais amplos.
Não apostar tudo no dólar: o ouro, o petróleo, as moedas dos países exportadores e os mercados emergentes reagem de forma diferente às realocações de reservas.
Acompanhar as publicações trimestrais COFER do FMI, as compras de ouro dos bancos centrais, as cimeiras dos BRICS, os acordos de pagamento em moedas locais e a evolução do Dollar Index.
Nos pares exóticos e emergentes, reduzir a dimensão das posições, colocar sempre um stop loss e limitar a alavancagem. O nosso guia de gestão do risco detalha estas regras.
A desdolarização mede-se em décadas. A curto prazo, as decisões da Fed, os diferenciais de taxas e as estatísticas americanas continuam a ser os principais motores do dólar.
A reter: a desdolarização é um processo lento e parcial. O dólar continua a ser a moeda dominante nas reservas, no comércio e no Forex, mas a sua quota está a diminuir em benefício do ouro e, mais modestamente, do euro e do yuan. Para os traders, é sobretudo um fator de fundo a integrar na análise fundamental, e não um sinal de trading de curto prazo.
Em 2026, o dólar americano continua a ser a moeda mais importante do sistema financeiro mundial. Apesar das incertezas dos últimos anos — tensões comerciais, défices orçamentais recorde, queda do Dollar Index em 2025 e recuperação parcial em 2026 por efeito do choque petrolífero e do aperto da Fed —, o USD mantém o seu estatuto de moeda de reserva dominante, estando presente em quase 89% das transações Forex e representando cerca de 57% das reservas oficiais mundiais. A desdolarização, impulsionada pela China, pela Rússia e pelas compras recorde de ouro dos bancos centrais, vai corroendo esta posição sem a pôr em causa a curto prazo.
Para os traders de Forex, compreender os mecanismos que regem o valor do dólar é fundamental: a política monetária da Fed, os indicadores económicos americanos, os diferenciais de taxas de juro, o sentimento do mercado e a evolução do Dollar Index (DXY) são parâmetros a acompanhar permanentemente. Num contexto de incerteza geopolítica e económica crescente, o dólar continua a ser a bússola do conjunto dos mercados cambiais, e dominá-lo é indispensável para qualquer investidor ativo no Forex. Acompanhar a erosão progressiva da sua quota nas reservas mundiais permite, além disso, antecipar as grandes tendências de longo prazo do dólar, do ouro e das moedas emergentes.

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